Quem possui o PlayStation 5 tradicional acaba de receber uma novidade que até pouco tempo parecia depender de um PS5 Pro.
A Sony anunciou o Quick Spectral Super Resolution, ou simplesmente QSSR, uma nova tecnologia de reconstrução de imagem baseada em inteligência artificial desenvolvida especificamente para funcionar no PS5.
Na prática, a novidade busca entregar imagens mais detalhadas e estáveis sem exigir que o jogador compre um console mais potente.
E não estamos falando de uma tecnologia que será utilizada apenas daqui a alguns anos.
Ela já começou a chegar.
Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei são os primeiros jogos compatíveis com QSSR, recebendo a tecnologia como uma opção gráfica adicional no PS5.
A novidade chama ainda mais atenção porque nasceu a partir de uma tecnologia que até agora estava associada ao PS5 Pro.
O que é QSSR e o que muda no PS5?
Para entender a novidade, precisamos primeiro falar rapidamente sobre o PSSR — PlayStation Spectral Super Resolution.
O PSSR é utilizado pelo PS5 Pro para reconstruir imagens utilizando inteligência artificial. Em termos simples, o jogo pode trabalhar internamente com uma resolução menor e utilizar o sistema para reconstruir a imagem final com mais detalhes.
Isso permite que os desenvolvedores tentem equilibrar duas coisas que normalmente disputam os recursos do console: qualidade de imagem e desempenho.
O problema é que o PSSR exige recursos computacionais que o PS5 tradicional não possui na mesma proporção que o modelo Pro.
A solução encontrada pela Sony foi desenvolver uma alternativa.
Surge então o QSSR — Quick Spectral Super Resolution.
Segundo Daniel Craig, engenheiro principal da área de pesquisa e desenvolvimento gráfico da Sony Interactive Entertainment, a nova tecnologia nasceu do Project Amethyst, colaboração entre Sony e AMD voltada ao desenvolvimento de tecnologias gráficas baseadas em inteligência artificial.
O QSSR utiliza uma arquitetura de rede neural mais enxuta, acompanhada de uma implementação otimizada especificamente para aproveitar o hardware do PS5.
O objetivo não é transformar magicamente um PS5 em um PS5 Pro.
A própria Sony deixa isso bastante claro.
O PSSR continua sendo considerado pela empresa sua solução de maior qualidade no PS5 Pro. O QSSR foi criado para trabalhar dentro das limitações do hardware do PS5 tradicional e, mesmo assim, oferecer melhorias perceptíveis em detalhamento e estabilidade da imagem.
Imagine, por exemplo, uma grade metálica, fios, cabelos, vegetação ou prédios localizados à distância.
Técnicas tradicionais de reconstrução podem fazer esses elementos parecerem instáveis enquanto a câmera se movimenta. Pequenos detalhes podem desaparecer, piscar ou mudar de aparência entre diferentes quadros.
É justamente nesse tipo de situação que uma reconstrução de imagem mais sofisticada pode fazer diferença.
E Wolverine é uma das primeiras demonstrações práticas disso.
Marvel’s Wolverine já utiliza QSSR
A Insomniac Games está entre os primeiros estúdios a implementar a nova tecnologia.
Marvel’s Wolverine recebe QSSR como uma opção gráfica adicional no PS5, permitindo comparar o resultado com as alternativas tradicionais disponíveis no jogo.
Segundo Mike Fitzgerald, chefe de tecnologia da Insomniac Games, a implementação aumenta a clareza e a estabilidade dos ambientes em nível de pixel.
O estúdio destaca principalmente lugares visualmente carregados, como as ruas de Madripoor e Shinjuku, onde existem muitos pequenos elementos sendo apresentados simultaneamente.
Isso é especialmente interessante em Wolverine porque o jogo foi construído desde o início pensando no hardware do PlayStation 5.
A aventura da Insomniac acompanha Logan em uma história original e passa por diferentes partes do mundo, incluindo Madripoor, Canadá e Japão. A proposta combina cenários bastante detalhados com o combate rápido e brutal característico do personagem.
Ter mais estabilidade na reconstrução da imagem significa preservar melhor esses detalhes durante o movimento.
Ghost of Yōtei é o outro título escolhido para estrear o recurso.
A Sucker Punch afirma que o QSSR melhora a reprodução dos detalhes finos encontrados tanto nos personagens quanto nos ambientes.
O estúdio destaca ainda aquilo que é chamado de estabilidade temporal: basicamente, a capacidade de manter esses pequenos detalhes mais consistentes enquanto a imagem muda de um quadro para outro.
Para quem simplesmente quer ligar o videogame e jogar, toda essa explicação técnica pode ser resumida de maneira muito mais simples:
o objetivo é produzir uma imagem mais limpa, detalhada e estável no PS5 que você já possui.
Isso transforma o PS5 comum em um PS5 Pro?
Não.
E essa distinção é importante.
O PS5 Pro continua possuindo hardware mais poderoso e utiliza o PSSR, que a própria Sony descreve como sua principal solução de reconstrução de imagem.
O QSSR é uma alternativa otimizada para funcionar dentro dos recursos disponíveis no PS5 tradicional.
Portanto, não espere que ativar QSSR faça o PS5 passar a entregar exatamente os mesmos gráficos ou desempenho do PS5 Pro.
A novidade é interessante por outro motivo.
Ela melhora um console que já está na casa dos jogadores.
E talvez esse seja o ponto mais importante de todo o anúncio.
A Sony confirmou que a biblioteca QSSR será disponibilizada amplamente para desenvolvedores de PlayStation. Isso significa que Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei são apenas os primeiros exemplos conhecidos, e outros estúdios poderão implementar a tecnologia em seus próprios jogos.
Isso também não significa que todos os jogos do PS5 serão automaticamente melhorados.
O QSSR precisa ser implementado pelos desenvolvedores. Portanto, jogos antigos não passam a utilizar inteligência artificial simplesmente porque o recurso existe no console.
Ainda assim, abre-se uma possibilidade interessante para futuros lançamentos e até atualizações de títulos que já estão disponíveis.
É também mais um exemplo de como os consoles atuais podem continuar evoluindo mesmo anos depois de chegarem às lojas.
Tradicionalmente, boa parte da experiência de um videogame era determinada pelo hardware existente dentro daquela caixa no dia em que ela era comprada.
Hoje, tecnologias de reconstrução de imagem, atualizações de sistema e ferramentas disponibilizadas aos desenvolvedores conseguem ampliar aquilo que esse mesmo hardware é capaz de entregar.
O PS5 obviamente não ganhou uma nova GPU durante a noite.
Mas ganhou uma nova maneira de utilizar os recursos que já possui.
E para quem olhava para recursos como o PSSR do PS5 Pro imaginando que seria necessário trocar de console para experimentar algo semelhante, o QSSR representa uma ótima notícia.
Ele não elimina as diferenças entre os dois modelos.
Mas leva parte dessa evolução tecnológica para milhões de PS5 que já estão nas casas dos jogadores.
E se Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei são apenas o começo, provavelmente ainda ouviremos bastante sobre QSSR nos próximos meses.

