Você olha para a capa. Personagens fofinhos. Cenários coloridos. Música alegre.
Nenhum soldado segurando um rifle enquanto alguma coisa explode ao fundo.
E imediatamente vem aquele pensamento:
“Isso deve ser jogo para criança.”
Talvez seja.
Mas existe uma diferença enorme entre um jogo que pode ser jogado por crianças e um jogo feito somente para crianças.
Alguns dos melhores videogames dos últimos anos são extremamente acessíveis para jogadores mais novos, mas possuem mecânicas, criatividade, desafios e até histórias capazes de prender alguém que joga videogame há décadas.
Astro Bot é um ótimo exemplo.
A própria Sony descreve o jogo como uma aventura de plataforma 3D por mais de 50 planetas, cheia de poderes, chefes e referências à história do PlayStation.
É fofinho?
Muito.
Infantil?
Aí já é outra história.
Aliás, discussões recentes entre jogadores mostram justamente adultos procurando outros títulos depois de se surpreenderem com Astro Bot, com nomes como Ratchet & Clank, It Takes Two e Mario Wonder aparecendo repetidamente nas recomendações.
Então resolvemos ampliar a ideia.
Se você já descartou um jogo porque olhou para ele e pensou que parecia “coisa de criança”, talvez esteja deixando experiências excelentes passarem.
Aqui estão 10 jogos que provam isso.
10 jogos coloridos que os adultos também deveriam experimentar
1. Astro Bot
Vamos começar pelo exemplo perfeito.
Olhe para Astro.
Pequeno. Branco. Olhos azuis.
Anda fazendo barulhinhos enquanto outros robozinhos comemoram quando você aparece.
Agora jogue.
Pouco tempo depois você provavelmente estará pensando:
“Como tiveram tantas ideias diferentes para um jogo de plataforma?”
Astro Bot não depende de uma mecânica durante 15 horas.
Ele apresenta uma ideia.
Brinca com ela.
Surpreende você.
E frequentemente troca tudo antes que aquilo fique repetitivo.
Há poderes que modificam completamente a movimentação, fases construídas em torno das características do DualSense, chefes enormes e uma quantidade gigantesca de pequenos detalhes.
Mas existe uma camada especialmente divertida para adultos que cresceram jogando PlayStation.
Astro Bot é praticamente uma celebração da história da plataforma.
A aventura possui mais de 150 personagens inspirados em figuras da história do PlayStation, segundo a própria Sony.
Isso significa que uma criança pode simplesmente enxergar um robozinho engraçado.
Você pode olhar para o mesmo personagem e pensar:
“Não acredito que colocaram referência a esse jogo aqui.”
É exatamente essa combinação que funciona tão bem.
Astro Bot consegue ser excelente para alguém descobrindo videogames e, ao mesmo tempo, uma carta de amor para quem joga há 20 ou 30 anos.
Por que um adulto deveria jogar: criatividade constante, nostalgia e plataforma extremamente bem construída.
2. It Takes Two
Dois bonecos pequenos correndo por cenários gigantescos.
Parece uma aventura infantil perfeita.
Até você descobrir do que se trata a história.
Cody e May estão enfrentando uma crise no casamento e pretendem se divorciar.
Depois que são transformados em bonecos, precisam trabalhar juntos enquanto tentam reconstruir sua relação.
Ou seja…
Não é exatamente o enredo que você esperaria olhando uma captura de tela.
A própria EA define a aventura como uma história sobre os desafios de um relacionamento e construiu toda a jogabilidade em torno da cooperação entre os dois personagens.
E aqui está o grande diferencial:
It Takes Two não possui modo para uma pessoa.
Ele foi criado para dois jogadores. Cada fase inventa alguma coisa.
Em determinado momento você possui uma habilidade e seu parceiro outra.
Depois tudo muda. Então surge outra mecânica. Depois outra.
Há plataforma. Tiro. Quebra-cabeças. Ação. Minigames. Chefes.
E situações completamente absurdas.
Algumas delas surpreendentemente sombrias para aquele jogo dos “bonequinhos fofos”.
Quem jogou provavelmente sabe exatamente de qual elefante estamos falando.
Não vou explicar.
É melhor assim.
Por que um adulto deveria jogar: excelente cooperação e uma história sobre relacionamento escondida dentro de uma aventura extremamente divertida.
3. Super Mario Bros. Wonder
Existe uma injustiça histórica com Mario.
Como os jogos são coloridos e extremamente acessíveis, algumas pessoas ainda associam Mario automaticamente a crianças.
Então aparece uma fase em Super Mario Bros. Wonder e faz você pensar:
“Quem teve essa ideia?”
A Flor Fenomenal é responsável por boa parte da loucura.
Você toca nela e as regras da fase podem simplesmente mudar.
Canos começam a se mover. O cenário se transforma.
Personagens fazem coisas inesperadas. A perspectiva muda.
Alguma situação completamente absurda começa.
É como se os desenvolvedores tivessem passado anos perguntando:
“E se fizermos isso?”
E alguém respondesse:
“Sim.”
Para praticamente tudo.
O jogo também funciona muito bem em família: até quatro pessoas podem jogar localmente no mesmo Switch.
Mas não confunda acessibilidade com ausência de desafio.
Quem quiser simplesmente terminar a aventura consegue.
Quem decidir procurar tudo e enfrentar os conteúdos mais difíceis descobrirá que Mario ainda sabe testar reflexos depois de quase quatro décadas.
Por que um adulto deveria jogar: criatividade absurda, plataforma excelente e desafios opcionais muito mais difíceis do que a aparência sugere.
4. Donkey Kong Bananza
Donkey Kong parece feliz. Pauline parece feliz. O cenário é colorido.
Então DK dá um soco no chão e destrói praticamente metade dele.
Bem-vindo a Donkey Kong Bananza.
A aventura para Switch 2 utiliza destruição como parte fundamental da exploração.
Quer atravessar uma parede? Destrua.
Quer cavar? Use os punhos.
Quer arrancar um pedaço do terreno e jogar em alguma coisa? Também pode.
A própria Nintendo destaca que destruir o cenário abre novas áreas para exploração.
Isso muda uma coisa fundamental nos jogos de plataforma.
Normalmente você olha para o cenário e pergunta:
“Como chego até lá?”
Em Bananza, frequentemente a pergunta vira:
“Será que consigo atravessar isso na pancada?”
E descobrir a resposta faz parte da diversão.
É uma aventura extremamente acessível visualmente, mas existe profundidade suficiente na exploração, movimentação e busca por segredos para manter adultos presos durante horas.
E ainda existe aquela satisfação infantil que aparentemente nunca desaparece:
destruir coisas é divertido.
Por que um adulto deveria jogar: exploração livre, destruição de cenário e aquela sensação constante de encontrar algo escondido.
5. Ratchet & Clank: Rift Apart
Um lombax peludo. Um robozinho. Armas absurdas. Dimensões coloridas.
Parece desenho animado de sábado de manhã.
E é justamente por isso que funciona.
Ratchet & Clank: Rift Apart é praticamente uma animação interativa extremamente bem produzida.
Mas por trás da apresentação existe um excelente jogo de ação.
As armas são uma atração por si só.
Não estamos falando apenas de pistola, metralhadora e escopeta.
A série sempre adorou criar equipamentos absurdos.
Você experimenta. Melhora. Troca. Descobre combinações.
Enquanto isso, Rift Apart utiliza as dimensões para transportar personagens rapidamente entre diferentes ambientes e criar sequências espetaculares.
É fácil começar.
Mas jogadores mais experientes podem aumentar a dificuldade e aproveitar muito mais os sistemas de combate.
Inclusive, quando adultos perguntam recentemente o que jogar depois de Astro Bot, Rift Apart continua aparecendo entre as recomendações da comunidade.
Não é coincidência.
Por que um adulto deveria jogar: visual espetacular, arsenal criativo e ação extremamente competente.
6. Kirby and the Forgotten Land
Se existe um personagem capaz de fazer alguém pensar imediatamente em “jogo infantil”, provavelmente é Kirby.
Ele é literalmente uma bolinha rosa sorridente.
Mas existe uma coisa curiosa sobre Kirby.
Quanto mais você conhece a franquia, mais percebe que ela pode ficar… estranha.
Kirby and the Forgotten Land leva o personagem para ambientes tridimensionais e apresenta uma aventura extremamente amigável para iniciantes.
Kirby absorve inimigos e utiliza suas habilidades.
Espada. Fogo. Gelo. E várias outras possibilidades.
Então existe o Mouthful Mode.
É difícil explicar com seriedade.
Kirby basicamente tenta engolir objetos enormes e assume suas formas.
Carro. Máquina. Outros objetos que provavelmente jamais imaginaram virar parte de um personagem.
É ridículo. E maravilhoso.
Mas jogadores que quiserem ir além da campanha encontrarão desafios, objetivos adicionais, colecionáveis e conteúdo capaz de exigir muito mais habilidade.
Kirby possui aquela qualidade rara de alguns jogos da Nintendo:
uma criança consegue terminar sorrindo.
Um adulto consegue passar horas tentando fazer tudo.
Por que um adulto deveria jogar: plataforma relaxante no início, muitos segredos e uma quantidade surpreendente de conteúdo.
7. LEGO Star Wars: The Skywalker Saga
Existe uma diferença importante entre “jogo LEGO” e “jogo exclusivamente para criança”.
LEGO Star Wars: The Skywalker Saga deixa isso muito claro.
Sim, tudo é transformado em LEGO.
Sim, personagens desmontam em pecinhas.
Sim, existem piadas constantemente.
Mas também estamos falando de uma enorme celebração de nove filmes de Star Wars.
Para um adulto que cresceu com Luke, Darth Vader, Han Solo ou até com a trilogia prequela, existe bastante nostalgia envolvida.
Os cenários possuem áreas abertas. Há personagens para desbloquear.
Naves. Missões paralelas. Colecionáveis. Segredos. Combate.
E uma quantidade quase absurda de referências.
O humor também funciona muito bem porque frequentemente brinca com situações que adultos reconhecem dos filmes.
É aquele raro caso no qual você pode colocar uma criança ao lado, entregar o segundo controle e cada pessoa encontrará um motivo diferente para estar se divertindo.
A criança vê LEGO. Você vê Star Wars. Os dois ficam felizes.
Por que um adulto deveria jogar: nostalgia, humor e uma quantidade enorme de conteúdo para completar.
8. Sackboy: A Big Adventure
Sackboy parece ter sido costurado especificamente para vender pelúcias.
Não ajuda nossa argumentação.
Mas dê uma chance.
Sackboy: A Big Adventure é um excelente jogo de plataforma que funciona tanto sozinho quanto em multiplayer.
As primeiras fases são extremamente convidativas.
Você pula. Coleta itens. Explora. Encontra roupas.
Tudo parece bastante tranquilo.
Então o jogo começa a exigir um pouco mais.
E se você resolver enfrentar determinados desafios opcionais, aquela impressão de “joguinho tranquilo” desaparece rapidamente.
Existe também um elemento que merece destaque:
música.
Algumas fases sincronizam elementos do cenário e obstáculos com músicas conhecidas, transformando o percurso quase em uma coreografia interativa.
É difícil explicar o quanto isso funciona até jogar.
Sackboy também continua sendo lembrado por adultos como alternativa para quem gostou de Astro Bot. Em uma discussão recente, uma jogadora descreveu justamente o gameplay e a maneira como a música acompanha as fases como pontos fortes.
Por que um adulto deveria jogar: ótimo plataforma, cooperação e fases musicais extremamente criativas.
9. Kirby Air Riders
Outro Kirby?
Sim.
Mas agora temos uma proposta completamente diferente.
Kirby Air Riders coloca Kirby e outros personagens pilotando máquinas que correm, derrapam e até voam pelas pistas.
A Nintendo destaca também o retorno da Prova Urbana, na qual você percorre uma cidade coletando melhorias para fortalecer sua máquina antes do confronto final.
E é justamente aí que aquele visual fofinho começa a enganar.
Existe estratégia.
Você precisa decidir quais melhorias procurar.
Qual máquina utilizar.
Como aproveitar melhor a movimentação.
Como lidar com os outros jogadores.
É aquele tipo de jogo que pode ser entendido rapidamente, mas abre espaço para alguém começar a prestar atenção em detalhes que uma criança provavelmente nem está pensando.
E isso costuma ser uma excelente fórmula para multiplayer.
Todo mundo consegue participar.
Mas existe diferença entre participar e realmente dominar aquilo.
Por que um adulto deveria jogar: competição, partidas rápidas e profundidade escondida atrás de controles acessíveis.
10. Crash Bandicoot 4: It’s About Time
Crash sorri. Faz careta. Dança. Morre de maneiras engraçadas. Tudo certo.
Então você tenta completar uma fase perfeitamente.
E percebe o erro que cometeu.
Crash Bandicoot 4 talvez seja o melhor jogo para encerrar esta lista porque representa perfeitamente a diferença entre aparência infantil e dificuldade infantil.
Terminar a campanha normalmente é uma coisa.
Tentar dominar o jogo é outra completamente diferente.
Caixas escondidas. Rotas alternativas. Desafios. Fases adicionais. Relíquias. Execuções perfeitas.
E sequências que exigem precisão suficiente para fazer você questionar se seus reflexos continuam sendo aqueles da adolescência.
É colorido. Engraçado. Carismático. E pode ser brutal.
Crash sempre teve um pouco disso, mas It’s About Time abraça completamente essa característica.
Uma criança pode se divertir vendo Crash cair de um penhasco pela décima vez.
O adulto ao lado provavelmente estará tentando entender como diabos deixou aquela única caixa para trás novamente.
Por que um adulto deveria jogar: plataforma extremamente competente e desafio suficiente para destruir qualquer sensação de superioridade gamer.
O problema nunca foi jogar algo “de criança”
Talvez exista uma mudança interessante acontecendo nos videogames.
Durante muitos anos, parte do público parecia associar “jogo adulto” a algumas características específicas.
Realismo. Violência. Sangue. Histórias sombrias. Gráficos tentando reproduzir pessoas reais.
Quanto mais sério, mais adulto.
Só que videogames amadureceram o suficiente para não precisarem provar isso o tempo inteiro.
Você pode passar uma noite jogando um RPG gigantesco e sombrio.
No dia seguinte, pode controlar um robozinho sorridente atravessando um planeta feito de coisas coloridas.
E nenhuma dessas experiências é menos videogame do que a outra.
Na realidade, jogos como Astro Bot conseguem algo que vários títulos muito mais sérios não conseguem:
fazer alguém sorrir simplesmente porque controlar o personagem é divertido.
Não existe uma árvore com 97 habilidades.
Não existem quinze tipos de moeda.
Você não precisa assistir a um vídeo de 22 minutos explicando a build ideal.
Você pega o controle. Começa a jogar. E se diverte.
Talvez seja justamente por isso que tantos adultos acabam se apaixonando por esses jogos.
Depois de trabalho, contas, trânsito, compromissos e todas as outras coisas extremamente emocionantes da vida adulta, talvez você não queira necessariamente terminar o dia salvando uma civilização de uma guerra devastadora.
Às vezes você só quer ser uma bolinha rosa.
E está tudo bem.
Qual deles eu recomendaria primeiro?
Se você possui um PS5, minha escolha seria muito fácil:
Astro Bot.
Mesmo para quem normalmente não gosta de plataforma.
É acessível, inventivo e possui referências que funcionam especialmente bem para quem acompanhou diferentes gerações do PlayStation. A Sony confirma mais de 50 planetas e mais de 150 personagens ligados à história da marca.
No Nintendo Switch, eu começaria por Super Mario Bros. Wonder.
Se você já possui um Switch 2, colocaria Donkey Kong Bananza entre as prioridades.
Quer jogar com namorado, namorada, marido, esposa ou amigo?
It Takes Two.
Quer algo que pareça fofinho até começar a humilhar suas habilidades?
Crash Bandicoot 4.
E se você tem filhos, existe uma vantagem adicional.
Praticamente toda essa lista permite que adultos e crianças se interessem pelo mesmo videogame, mesmo que por razões diferentes.
Isso vale ouro dentro de casa.
No fim, talvez seja melhor parar de perguntar:
“Esse jogo é para criança?”
E substituir por:
“Esse jogo é divertido?”
Porque se a resposta for sim, a idade impressa na sua certidão de nascimento provavelmente não deveria impedir você de jogar.

