Quem acompanhou A Plague Tale: Innocence e A Plague Tale: Requiem provavelmente reconheceu imediatamente Sophia quando Resonance: A Plague Tale Legacy foi anunciado.
Mas existe uma situação diferente desta vez.
O novo jogo não traz Amicia e Hugo novamente como protagonistas, acontece muitos anos antes dos títulos anteriores e apresenta uma jogabilidade consideravelmente mais voltada para o combate.
Isso naturalmente levanta uma dúvida para quem viu os trailers e ficou interessado:
é preciso jogar A Plague Tale: Innocence e Requiem antes de começar Resonance?
A resposta curta é não.
E não estamos apenas supondo isso por se tratar de uma prequela. A própria Asobo Studio afirmou que os capítulos anteriores não são necessários para aproveitar o novo jogo.
Mas existe uma diferença entre precisar jogar e valer a pena conhecer os anteriores.
E é aí que a resposta fica mais interessante.
Resonance acontece antes de Innocence e Requiem
Embora seja o terceiro grande jogo ambientado nesse universo, Resonance: A Plague Tale Legacy não é A Plague Tale 3.
A própria Asobo faz questão dessa distinção.
A história de Amicia e Hugo foi encerrada em Requiem, e o estúdio decidiu explorar outra personagem e uma estrutura diferente em vez de produzir uma continuação tradicional. Em entrevista publicada poucos dias antes do lançamento, a equipe voltou a dizer que um verdadeiro “A Plague Tale 3” estava fora dos planos quando começou a pensar no projeto seguinte.
É justamente aí que Sophia entra em cena.
Quem terminou A Plague Tale: Requiem já a conhece como uma personagem importante na jornada de Amicia e Hugo.
Em Resonance, porém, encontramos uma Sophia muito mais jovem.
A aventura acontece 15 anos antes dos acontecimentos dos dois jogos anteriores e pretende mostrar parte daquilo que transformou essa jovem saqueadora na mulher que posteriormente conheceríamos.
Sophia cresceu entre uma perigosa gangue de Veneza e aprendeu desde cedo a lutar e sobreviver.
Sua vida muda quando ela precisa abandonar aquilo que conhece e viajar acompanhada de Leni, sua amiga mais próxima, em direção à misteriosa Ilha do Minotauro.
E o nome não foi escolhido por acaso.
Mitologia possui um papel muito maior nesta aventura.
Sophia é atormentada por visões relacionadas a uma era antiga e começa a procurar respostas sobre sua ligação com aquele lugar. A Ilha do Minotauro esconde labirintos, armadilhas, quebra-cabeças e uma ameaça ligada a uma maldição antiga.
Isso permite que Resonance conte uma história própria.
Um jogador que nunca ouviu falar de Amicia ou Hugo não precisa conhecer os acontecimentos futuros para compreender por que Sophia está naquela ilha ou o que ela está tentando descobrir.
Na verdade, existe algo curioso nessa estrutura.
Quem começar por Resonance poderá conhecer Sophia cronologicamente antes de encontrá-la em Requiem.
Então posso começar A Plague Tale por Resonance?
Pode.
David Dedeine, cofundador e diretor criativo da Asobo, foi bastante claro ao apresentar o projeto: embora Resonance amplie a mitologia de A Plague Tale, não é necessário jogar os títulos anteriores para entendê-lo.
Isso transforma o lançamento em uma possível nova porta de entrada para a franquia.
Mas quem já jogou Requiem terá uma perspectiva diferente.
Nós já sabemos quem Sophia se tornará.
Conhecemos parte de sua personalidade, sabemos como ela reage a determinadas situações e entendemos a importância que terá muitos anos depois.
Resonance pretende justamente preencher algumas dessas lacunas.
A Asobo explicou que a história ajudará a mostrar como Sophia se tornou a personagem forte e cínica apresentada em Requiem, além de lançar mais luz sobre os motivos que posteriormente fizeram com que ela acolhesse Amicia e Hugo.
É uma espécie de recompensa para os veteranos.
Você não precisa dessas informações para compreender a nova história, mas reconhecê-las pode adicionar outra camada à experiência.
A comparação mais simples seria assistir a uma prequela de uma série.
Ela pode contar uma história completa sozinha, enquanto determinadas cenas significam um pouco mais para quem já sabe o que acontecerá no futuro.
E a jogabilidade? Resonance é bem diferente dos outros A Plague Tale
Essa talvez seja a mudança mais importante para quem está pensando em começar a franquia agora.
Sophia não luta como Amicia.
Nos jogos anteriores, enfrentar diretamente vários inimigos geralmente era uma ideia bastante ruim.
Furtividade, distrações e a utilização inteligente dos recursos disponíveis faziam parte da identidade de A Plague Tale.
Sophia é outra história.
Ela cresceu lutando.
Espada e adaga fazem parte de seu arsenal e o sistema foi desenvolvido para permitir confrontos muito mais diretos, incluindo situações nas quais Sophia enfrenta vários inimigos.
Há esquivas, aparos e ataques poderosos, enquanto agilidade e reflexos possuem importância muito maior.
A Asobo explica que justamente a escolha de Sophia permitiu criar uma experiência mais voltada para ação. Amicia nunca foi concebida como uma combatente tradicional; Sophia, por outro lado, encaixava-se perfeitamente nessa proposta.
Isso não significa que Resonance virou simplesmente um jogo de ação.
A vulnerabilidade continua presente.
Sophia pode ser uma combatente habilidosa, mas receber golpes continua sendo perigoso. Exploração, furtividade, quebra-cabeças e momentos nos quais evitar o inimigo é melhor do que enfrentá-lo permanecem na aventura.
A Ilha do Minotauro também adiciona outro elemento.
Existe uma presença que caça Sophia enquanto ela explora determinadas áreas.
A ideia de ser simultaneamente alguém capaz de lutar e uma personagem que também pode se tornar presa cria uma dinâmica bastante diferente.
Para quem tentou jogar Innocence ou Requiem e acabou não gostando do forte foco em furtividade, portanto, Resonance merece uma segunda olhada.
Ele pode pertencer ao mesmo universo, mas a proposta de gameplay mudou significativamente.
E os famosos ratos de A Plague Tale?
Aqui temos outra surpresa.
Ratos praticamente se tornaram sinônimo da franquia.
As enormes hordas presentes nos dois primeiros jogos produziram algumas das cenas mais reconhecíveis de A Plague Tale.
Mas Resonance está seguindo outro caminho.
Na apresentação publicada pelo Xbox em 24 de agosto, depois de jogar os primeiros capítulos, o apresentador Jeff Rubenstein resumiu a mudança de maneira bastante direta: há menos furtividade, muito mais ação e, pelo menos naquele trecho inicial, nenhum rato à vista.
Isso não significa necessariamente que toda ligação com os elementos sobrenaturais dos jogos anteriores desapareceu.
Muito pelo contrário.
A Macula continua fazendo parte da mitologia que Resonance pretende explorar, mas agora dividindo espaço com elementos relacionados à mitologia grega, à Ilha do Minotauro e ao passado de Sophia.
É uma maneira inteligente de preservar a identidade desse universo sem simplesmente repetir a mesma ameaça pela terceira vez.
Vale jogar Innocence e Requiem antes de Resonance?
Aqui eu dividiria a recomendação em três situações.
Nunca jogou A Plague Tale e está interessado em Resonance?
Pode começar tranquilamente pelo novo jogo.
A história foi construída para funcionar dessa maneira e a própria desenvolvedora confirma isso.
Já possui Innocence ou Requiem e estava pensando em jogá-los primeiro?
Vale muito a pena.
Além de serem excelentes aventuras, você conhecerá Sophia inicialmente da maneira como ela foi apresentada aos jogadores. Quando voltar 15 anos no tempo em Resonance, determinados aspectos da personagem provavelmente ganharão outro significado.
Quer jogar toda a franquia pela história?
Nesse caso, eu continuaria recomendando a ordem de lançamento:
A Plague Tale: Innocence → A Plague Tale: Requiem → Resonance: A Plague Tale Legacy.
Mesmo sendo cronologicamente anterior, Resonance foi desenvolvido depois e utiliza uma personagem cuja importância foi estabelecida em Requiem.
Mas isso é uma recomendação, não uma obrigação.
Quem comprar Resonance nesta semana não precisa correr para terminar dois jogos antes de quinta-feira.
E talvez essa seja uma das decisões mais inteligentes da Asobo.
Em vez de exigir dezenas de horas de conhecimento prévio para atrair novos jogadores, o estúdio criou uma aventura capaz de funcionar como um novo ponto de entrada para A Plague Tale, ao mesmo tempo em que oferece contexto adicional para quem acompanha a franquia desde Innocence.
Resonance: A Plague Tale Legacy será lançado em 27 de agosto de 2026 para PS5, Xbox Series X|S e PC. A Focus Entertainment confirma a data e as três plataformas.
No ecossistema Xbox existe ainda um incentivo importante: o jogo estará disponível no Game Pass no lançamento e terá Xbox Play Anywhere.
Então, se a sua dúvida era simplesmente “preciso jogar os outros antes?”, pode ficar tranquilo.
Não precisa.
Mas se Resonance fizer você gostar desse universo, provavelmente terminará querendo descobrir quem são Amicia e Hugo — e por que Sophia se tornaria tão importante para eles muitos anos depois.

