Se você viveu a época do Super Nintendo, provavelmente existe alguma lembrança que vai muito além dos próprios jogos. Pode ser o barulho do cartucho encaixando, uma ida à locadora na sexta-feira, a disputa pelo controle com um irmão ou amigo ou aquela fase que parecia simplesmente impossível de passar.
E talvez seja justamente por isso que o Super Nintendo continua despertando tanta nostalgia.
Lançado originalmente como Super Famicom no Japão em 1990 e posteriormente como Super Nintendo Entertainment System em outros mercados, o console se tornou um dos grandes símbolos da geração 16 bits. Segundo a própria Nintendo, mais de 46 milhões de unidades do aparelho foram vendidas mundialmente.
Mas números contam apenas uma parte dessa história.
O que realmente transformou o SNES em um videogame inesquecível foi sua biblioteca. Mario, Link, Samus, Donkey Kong, Mega Man e tantos outros personagens protagonizaram aventuras que atravessaram gerações.
A própria seleção oficial do Super NES Classic Edition ajuda a mostrar a força desse catálogo: títulos como Super Mario World, EarthBound, Final Fantasy III — nome ocidental de Final Fantasy VI naquela época —, Secret of Mana, Super Metroid, Mega Man X e A Link to the Past foram escolhidos para representar o console décadas depois.
Mas vem a pergunta: quais desses jogos ainda são realmente gostosos de jogar hoje?
Separei 15 deles.
15 clássicos do Super Nintendo que ainda valem uma partida
15. F-Zero
Antes de muita gente conhecer Captain Falcon por Super Smash Bros., o sujeito já estava acelerando em velocidades absurdas em F-Zero.
O jogo impressionava especialmente pela sensação de velocidade proporcionada pelo uso do Mode 7 do Super Nintendo. Suas pistas futuristas, curvas perigosas e veículos completamente diferentes dos tradicionais carrinhos faziam F-Zero parecer algo vindo do futuro.
E há uma curiosidade interessante: F-Zero esteve entre os títulos do período de lançamento do SNES nos Estados Unidos, ajudando a apresentar as capacidades do novo console.
Ainda hoje é simples começar e difícil parar.
14. Super Castlevania IV
Chicote na mão, monstros por todos os lados e uma trilha sonora capaz de deixar qualquer ambiente imediatamente mais sombrio.
Super Castlevania IV é um daqueles jogos que representam perfeitamente o início da geração 16 bits.
A aventura de Simon Belmont chegou ao Super Famicom em 1991 e continua sendo lembrada principalmente pelo excelente controle do protagonista, atmosfera e criatividade de seus cenários.
Pode não ser exatamente fácil para quem está acostumado aos jogos atuais, mas continua extremamente recompensador.
13. Street Fighter II Turbo
Antes das partidas online, existia algo muito mais perigoso para uma amizade:
dois controles e Street Fighter II.
A chegada de Street Fighter II aos consoles domésticos ajudou a levar para dentro das casas uma experiência que muitos conheciam principalmente dos fliperamas.
Ryu, Ken, Chun-Li, Blanka, Guile, Zangief…
Escolher o personagem já fazia parte da discussão.
Street Fighter II Turbo acelerou ainda mais as batalhas e se tornou uma das versões mais queridas do jogo no Super Nintendo. Tanto que também aparece entre os títulos escolhidos pela Nintendo para o SNES Classic Edition.
12. Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars
Imagine explicar nos anos 90 que Mario protagonizaria um RPG desenvolvido em parceria com a Square.
Parecia uma combinação improvável.
Funcionou maravilhosamente bem.
Super Mario RPG transformou o Reino dos Cogumelos em uma aventura completamente diferente, com batalhas em turnos, exploração, equipamentos, evolução dos personagens e muito humor.
Para muitos jogadores, inclusive, foi uma porta de entrada para o gênero RPG.
Décadas depois, a importância do original ficou ainda mais evidente quando a Nintendo resolveu revisitar essa aventura em uma versão moderna.
11. Contra III: The Alien Wars
Contra III não pergunta educadamente se você está preparado.
Ele simplesmente começa a atirar.
Inimigos surgindo de todos os lados, explosões, chefes gigantescos e momentos em que parece existir mais coisa acontecendo na tela do que deveria ser tecnicamente possível.
É videogame de ação em sua essência.
E também é um belo lembrete de uma época em que terminar um jogo muitas vezes exigia memorizar padrões, repetir fases e desenvolver uma quantidade considerável de paciência.
10. Super Mario Kart
Hoje Mario Kart é uma das grandes séries da Nintendo.
Mas houve um momento em que ninguém sabia exatamente o que aconteceria colocando Mario, Luigi, Bowser, Peach e companhia dentro de pequenos karts.
O resultado chegou ao Super Famicom em 1992.
Nascia Super Mario Kart.
Boa parte da fórmula que conhecemos atualmente já estava ali: itens, cascos, bananas, pistas temáticas e aquela habilidade inexplicável que Mario Kart possui de transformar amigos em inimigos durante alguns minutos.
Graficamente ele envelheceu, naturalmente.
A diversão? Nem tanto.
9. Final Fantasy VI
No Ocidente, muitos jogadores conheceram o jogo como Final Fantasy III.
Hoje sabemos que ele era, na verdade, Final Fantasy VI.
Independentemente do número estampado na caixa, estamos falando de um dos RPGs mais importantes da geração.
Sua enorme quantidade de personagens, história dramática, sistema de combate e uma trilha sonora memorável ajudaram a transformar o título em referência do gênero.
É também um ótimo exemplo de como algumas experiências do Super Nintendo não dependiam apenas de reflexos ou habilidade.
Às vezes, queríamos simplesmente conhecer uma grande história.
8. Super Mario World 2: Yoshi’s Island
Não se deixe enganar pelo visual colorido.
Yoshi’s Island pode parecer um desenho infantil em movimento, mas esconde um jogo de plataforma extremamente criativo.
A possibilidade de engolir inimigos, transformá-los em ovos e utilizar esses ovos como projéteis criou uma dinâmica completamente diferente daquela encontrada em Super Mario World.
E seu estilo visual envelheceu muito bem justamente porque nunca tentou parecer realista.
Ele parece uma ilustração.
Décadas depois, continua lindo.
7. Super Metroid
Existe uma sensação especial quando você começa Super Metroid sem saber exatamente para onde ir.
O planeta Zebes parece enorme, misterioso e perigoso.
Aos poucos, Samus encontra novas habilidades e lugares antes inacessíveis começam a fazer sentido.
Essa estrutura de exploração se tornou tão influente que o próprio nome Metroid acabaria ajudando a definir o gênero conhecido atualmente como Metroidvania.
Super Metroid chegou em 1994 e marcou o retorno de Samus ao Super Nintendo. A própria Nintendo destaca o título entre os grandes acontecimentos daquele ano.
Ainda hoje é uma aula de exploração e construção de atmosfera.
6. Chrono Trigger
Para muita gente, este poderia tranquilamente ocupar a primeira posição.
Chrono Trigger reuniu talentos extraordinários e entregou uma aventura envolvendo viagens no tempo, múltiplas épocas, personagens carismáticos e diferentes possibilidades para o destino da história.
Mas talvez sua maior qualidade atualmente seja outra:
Chrono Trigger envelheceu muito bem.
O ritmo é excelente, os combates continuam agradáveis e a aventura não exige dezenas de horas até começar a ficar interessante.
É um daqueles RPGs que ainda podem conquistar alguém que nunca encostou em um Super Nintendo.
Agora entramos no território dos gigantes
5. Mega Man X
Se Mega Man já era excelente no NES, sua chegada à geração 16 bits precisava parecer uma verdadeira evolução.
E pareceu.
Mega Man X trouxe movimentos mais rápidos, possibilidade de escalar paredes, armaduras, melhorias escondidas e fases conectadas de maneiras bastante interessantes.
Além disso, apresentou Zero, que posteriormente se tornaria um dos personagens mais populares da franquia.
Para quem gosta de jogos de ação e plataforma, Mega Man X continua praticamente obrigatório.
E aqui no Pavê Games temos até uma relação especial com a franquia: quem acompanha nossa seção Nostalgia já viu nossa série dedicada aos melhores jogos do Mega Man.
4. Donkey Kong Country 2: Diddy’s Kong Quest
O primeiro Donkey Kong Country impressionou o mundo com seus gráficos.
O segundo pegou aquela fórmula e praticamente disse:
“Agora vamos melhorar todo o resto.”
Diddy e Dixie protagonizam uma aventura cheia de fases criativas, segredos, músicas inesquecíveis e desafios que aumentam gradualmente.
Dixie ainda trouxe uma habilidade extremamente útil ao usar seu cabelo para planar, criando novas possibilidades de plataforma.
É daqueles jogos em que você começa querendo jogar duas fases e, quando percebe, já está procurando todas as moedas DK.
3. The Legend of Zelda: A Link to the Past
Existe um motivo para tantos elementos apresentados ou aperfeiçoados em A Link to the Past continuarem associados à série Zelda décadas depois.
A exploração de Hyrule, as dungeons, equipamentos, quebra-cabeças e especialmente a relação entre diferentes versões do mundo ajudaram a criar uma aventura enorme para os padrões da época.
A Nintendo registra o lançamento do jogo no Super Nintendo como um dos grandes acontecimentos de 1992 na história do console na Europa.
Mesmo para alguém que começou a jogar Zelda muito depois, voltar para A Link to the Past ainda é surpreendentemente confortável.
2. Donkey Kong Country
Poucos jogos provocaram tanto impacto visual no Super Nintendo quanto Donkey Kong Country.
Quando apareceu, muita gente simplesmente não entendia como aqueles gráficos estavam saindo de um videogame 16 bits.
A Rare utilizou gráficos pré-renderizados que ajudaram o jogo a desenvolver uma identidade visual muito particular. A própria Nintendo destaca que o título utilizava a tecnologia chamada Advanced Computer Modeling e tornou-se um enorme sucesso.
Mas reduzir Donkey Kong Country aos gráficos seria injusto.
As fases são excelentes, os animais companheiros são divertidos, existem muitos segredos e sua trilha sonora permanece espetacular.
E ainda tivemos duas continuações excelentes no mesmo console.
1. Super Mario World
Era difícil terminar esta lista de outra maneira.
Super Mario World é quase uma definição do que significa um jogo envelhecer bem.
Os comandos continuam precisos. As fases continuam criativas. Procurar saídas secretas continua divertido. Descobrir caminhos alternativos pelo mapa continua recompensador.
E foi aqui que muitos jogadores conheceram Yoshi.
O título acompanhou a chegada do Super Nintendo aos Estados Unidos em 1991 e acabou se transformando em um dos maiores símbolos do console.
Décadas depois, você pode colocar Super Mario World para alguém jogar sem precisar explicar contexto histórico, importância ou nostalgia.
Basta entregar o controle.
O jogo faz o resto.
O Super Nintendo não vive apenas de nostalgia
Talvez essa seja a principal diferença entre lembrar com carinho de um jogo antigo e realmente considerá-lo um clássico.
Algumas experiências são incríveis dentro das nossas lembranças, mas bastante difíceis de revisitar.
Outras simplesmente continuam funcionando.
E a biblioteca do Super Nintendo possui uma quantidade impressionante desse segundo grupo.
A Nintendo escolheu 21 títulos para representar o console no Super NES Classic Edition, incluindo boa parte dos jogos desta lista, como Super Mario World, Zelda, Super Metroid, Mega Man X, Donkey Kong Country e Yoshi’s Island.
É uma prova de como aquela geração deixou um legado difícil de ignorar.
E obviamente qualquer lista de apenas 15 jogos vai cometer algumas injustiças.
EarthBound, Secret of Mana, Super Ghouls ‘n Ghosts, Kirby Super Star, Star Fox, Mortal Kombat, Killer Instinct, International Superstar Soccer, Top Gear e tantos outros poderiam aparecer aqui.
Aliás, talvez essa seja justamente a melhor parte.
Porque se você chegou até aqui pensando “como vocês deixaram aquele jogo de fora?”, significa que o Super Nintendo também marcou sua história.
Então queremos saber:
qual jogo de Super Nintendo você colocaria obrigatoriamente nessa lista?
E mais importante…
qual deles faria você ligar novamente um Super Nintendo hoje?

